Quarta-Feira, 10 de Dezembro de 2014

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Em meio a onda de protestos, fazendeiros jogam toneladas de estrume em ruas na França

Excesso de regulamentação, economia fraca e falta de protecionismo são principais motivos de mobilizações ao redor do país

Publicada: 06/11/2014 - 16h10m|Fonte: Opera Mundi|Versão para impressão|

  • França começou a aplicar uma diretiva da UE que obriga fazendeiros a reduzir a poluição por nitratos
  • França começou a aplicar uma diretiva da UE que obriga fazendeiros a reduzir a poluição por nitratos
    Foto: Reprodução/ RT
Cerca de 100 toneladas de esterco e legumes podres foram jogados nesta quinta-feira (06/11) em frente a prédios da Prefeitura da cidade francesa de Chartres, a sudoeste de Paris.

A medida faz parte de uma onda de protestos de agricultores franceses, que estão irritados com o excesso de regulamentação, a economia fraca e a falta de protecionismo contra a concorrência estrangeira.

Desde terça (04/11), a França foi tomada por uma série de manifestações que já reuniram pelo menos 35 mil pessoas e chegaram inclusive a cidades com mais densidade populacional, como Nantes, Toulouse e Tours.

Já na Praça da República, em Paris, agricultores despejaram ontem 60 toneladas de batata e 20 toneladas de cebolas, maçãs e peras cultivadas na região. Em Dijon, os agricultores queimaram uma efígie da ministra da Ecologia, Ségolène Royal, que já foi casada com o atual presidente, François Hollande.

"Esta é uma ação simbólica. Muitas vezes, os agricultores não colhem seus produtos porque custa muito caro e não vale a pena, então, vai para o lixo. Em vez de fazer isso, decidimos dá-los aos parisienses para passar a nossa mensagem", explicou o fazendeiro Cyrille Milard ao RT.

Neste ano, o país começou a aplicar uma diretiva da União Europeia que obriga fazendeiros a reduzir a poluição por nitratos, implicando novos gastos com fertilizantes e melhorias nas instalações para cumprir a norma.


Mobilizações ao redor do país foram organizadas por dois dos principais sindicatos agrícolas que tomaram as ruas


"Os mercados precisam ser regulados. Nós importamos 80% de vegetais e 80% de carne. A cada semana, nossos agricultores saem da profissão, porque não conseguem vender os seus produtos. Nós temos produtos de alta qualidade", acrescentou Milard.


As mobilizações ao redor da França foram organizadas por dois dos principais sindicatos agrícolas, a FNSEA (Federação Nacional de Sindicatos de Exploração Agrícola) e a Jeunes Agriculteurs (Jovens Agricultores).

"Os tomates são de Marrocos, as maçãs são da Itália... o Ministério da Economia deveria dar o exemplo de ‘Made in France’, o que não é o caso", completou o vice-líder de um dos movimentos, Samuel Vandaele.

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