Quinta-Feira, 10 de Outubro de 2013

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E vamos à luta!

Há uma agenda imposta, cuidadosamente escolhida, destinada a enfraquecer a candidatura de Dilma Rousseff por ser representante de uma política de recuperação...

Publicada: 18/10/2010 - 07h33m|Fonte: Beto Almeida - Carta Maior|Versão para impressão|

Há uma agenda imposta, cuidadosamente escolhida, destinada a enfraquecer a candidatura de Dilma Rousseff por ser representante de uma política de recuperação da soberania nacional, de valorização do trabalho e da produção e da integração dos povos da América Latina e do sul num novo equilíbrio mundial, sem vassalagem aos centros imperiais.

A agressividade dessa caudalosa ação midiática para demolir a imagem da candidata, acusada de bandida, terrorista, assassina, incompetente, inexperiente, contrária aos valores da família, da ética, e da vida, é encontrada também em vários outros momentos da história do Brasil.

A frágil democracia brasileira, que ainda precisa ser consolidada, está sendo alvo, uma vez mais, de um golpismo midiático comandado pelas forças conservadoras a serviço das oligarquias internacionais. Não se trata apenas de baixaria, de central de boatos, de retrocesso temático por uma característica da sociedade brasileira. Trata-se de uma agenda imposta, cuidadosamente escolhida, destinada a enfraquecer a candidatura de Dilma por ser representante de uma política de recuperação da soberania nacional, de valorização do trabalho e da produção e da integração dos povos da América Latina e do sul num novo equilíbrio mundial, sem vassalagem aos centros imperiais.

A agressividade da caudalosa ação midiática para demolir a imagem de Dilma Roussef, acusada de bandida, terrorista, assassina, incompetente, inexperiente, contrária aos valores da família, da ética, e da vida, é encontrada também em vários outros momentos de nossa história em que o Brasil estava, como agora, decidindo-se por um projeto político em que se afirma como Nação Soberana, contra o outro projeto, destinado a preservar os interesses sórdidos das oligarquias internacionais que vivem da rapina aos povos da periferia do mundo.

Foi exatamente assim, com esta mesma ferocidade, com o rancor mais faccioso, com argumentos fascistas, que as forças conservadoras lançaram-se na campanha histérica para tentar impedir, nos anos 50, que Vargas levasse adiante seu projeto de nacionalização do Petróleo e criação da Petrobrás, bem como da Vale do Rio Doce, do BNDES. “ Não me acusam, me insultam; não combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes”. Trecho da Carta Testamento de Vargas.

Dilúvio de calúnias: supressão do debate democrático
Com todo este dilúvio de mentiras, calúnias e ofensas, pretendem impedir que a campanha eleitoral seja o palco democrático iluminado e claro para a comparação civilizada e sensata de propostas, dos projetos defendidos por um e outro candidato. Até grupamentos neonazistas foram convocados para esta fraude informativa. O que se quer é uma invisibilidade da verdadeira pauta democrática sobre os rumos do Brasil, com o que as propostas nem sequer são conhecidas em profundidade, obscurecidas e escondidas sob uma nuvem de desinformação, manipulação e falsificações sem qualquer limite, repetida em uníssono pelos grandes veículos de comunicação, rigorosamente controlados pelos magnatas do setor. Pretendem confundir o povo. É uma articulação que tem o alcance de um golpe midiático!

Como ocorria contra Vargas, quando a artilharia pesada dos meios de comunicação comandados pelo capital externo não admitia que o Brasil tivesse soberania sobre suas riquezas naturais nacionalizada. Para impedir que o governo varguista continuasse valorizando o trabalho, os direitos trabalhistas e avançasse na criação da Eletrobrás, já anunciada, desataram a venenosa campanha do “mar-de-lama no Catete”, organizando a deposição do Presidente da República, que optou por derrotar o golpe com um tiro no próprio coração. A campanha midiática de então era, como agora, pautada em um moralismo histérico, rudimentar, anti-histórico, perigosamente fanático, descontextualizando fatos, usando abertamente de mentiras, invenções e meias verdades. Como nas medievais caça às bruxas... Mas, o objetivo é um só: impedir a discussão verdadeira e o objetiva dos problemas nacionais, dos problemas do nosso povo, confundí-lo, em favor dos interesses internacionais.

Agora, usando de outros ingredientes e das novas e velhas tecnologias de comunicação, estas mesmas forças imperiais, controladoras da grande mídia por meio do garrote dos anunciantes, quer impedir a continuidade de uma política que está livrando o país das imposições do FMI, reconstruindo a Telebrás, renacionalizando a Petrobrás, e, além disso, dotando o Brasil de uma estratégia nacional de defesa, indispensável num mundo marcado pelo intervencionismo dos fortes contra os fracos..

"Esse mar é meu, leva esse barco pra lá desse mar..”
Para que se tenha um exemplo claro do efeito causado por este dilúvio midiático para desviar e impedir a visão sobre fatos importantes, quase não foi divulgada a decisão recente do governo de ampliar sua fronteira marítima, incorporando mais 960 mil km2 a zona de soberania nacional do mar. A medida é de importância transcendental, sobretudo pela descoberta do pré-sal, mas também em razão do perigoso jogo de poder mundial em que nações imperialistas lançam-se com voracidade ilimitada, com o uso da força militar quando necessário, à rapina das riquezas naturais em qualquer parte do planeta onde imaginam ser possível tomar. Um fato de tal dimensão não é ainda , provavelmente, do conhecimento da grande maioria do povo brasileiro, mas, certamente, serviu para aguçar ainda mais o ódio nos malignos laboratórios imperiais contra a política implementada por Lula e que Dilma pretende continuar, com o apoio dos brasileiros.

Trata-se de uma decisão não isolada, mas vinculada ao conjunto de políticas desenvolvidas pelo governo. Vale dizer que Dilma Roussef, embora estivesse presa, nos anos 70, teve a sabedoria e a objetividade de apoiar a decisão do governo militar de então, de ampliar o mar territorial brasileiro para 200 milhas, medida que provocou o rechaço de várias potências imperiais. Será que os militares nacionalistas sabem disto? Na atualidade, a nova expansão de nossa soberania sobre o mar está vinculada à recuperação da indústria naval – demolida pela era da privataria - ao apoio ao projeto do submarino nuclear, ao reequipamento da Marinha Brasileira - que também foi desarmada pelos privateiros amigos de FHC/Serra - e a decisão de ampliar o controle estatal sobre o petróleo, incluindo o pré-sal. Será que os militares preferem apoiar um candidato comprometido com o desarmamento unilateral do Brasil? Um candidato que participou da entrega da Embratel às mãos de uma empresa norte-americana, com o que informações estratégicas, inclusive de segurança nacional, passaram às mãos dos órgãos estrangeiros? Sem contar a possibilidade técnica real de promoverem um apagão satelital contra o Brasil? Houvesse jornalismo independente hoje no Brasil seria boa pergunta se fazer ao Serra....

O dilúvio midiático golpista quer evitar que estes temas sejam discutidos democraticamente, no que logra-se êxito já que todos os grandes veículos estão controlados pelos interesses internacionais, enquanto que as forças populares e progressistas ainda não organizaram, até hoje, um veículo de comunicação de expressão de massas, nacional, regular, com capacidade para fazer o contraditório e quebrar a monolítica linha editorial conservadora. Ainda não temos o nosso “Última Hora”.

Golpismo midiático
O golpismo midiático que se aplica agora contra a candidatura de Dilma Roussef foi também aplicado contra Jango. Os veículos de comunicação que pediam em editoriais histéricos a intervenção militar contra a suposta “república sindicalista”, chegaram a proclamar a “vacância da presidência da república”, quando Jango estava em território nacional e possuía a legitimidade que lhe fora dada pelos eleitores.

Não há razoabilidade contra o pensamento golpista. Serra utiliza-se desta linha facciosa de argumentação nos debates e em sua propaganda eleitoral. Perguntou a Dilma sobre a dívida da Santa Casa, parentando preocupação com exigüidade de recursos aplicados em saúde, como se não fora seu partido e as demais forças conservadoras os responsáveis pela extinção do CMPF, sangrando o orçamento da saúde de uma só vez, em cerca de 40 bilhões ano.

A mais recente privatização de Serra
Tenta excluir-se do time dos privateiros, mas o exemplo mais recente de sua vasta lista de internacionalização do patrimônio público, é a nefasta privatização da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, promovida pelo Governo Serra, ocorrida em 2008. A estatal era avaliada em 16 bilhões de reais, e foi doada pela bagatela de 1,6 bilhão a uma empresa colombiana, controlada por acionistas norte-americanos. Detalhe: em menos de um ano de operação, com alta radical e artificial de tarifas, redução de investimentos e dos serviços de operação , precarização dos serviços, apagões e demissão em massa, a empresa arrecadou quase um bilhão de reais em lucro, quase o valor obtido na venda. Gravíssimo: no edital de privatização desta empresa constou cláusula que impedia a participação de empresas estatais brasileiras, pois havia o interesse da paranaense Copel e da mineira Cemig na sua compra. Pelo edital, um estímulo à internacionalização.

Profissão: golpista
O único argumento que as ações golpistas temem e consideram é aquele que vem acompanhado pela presença de massas nas ruas! Vale lembrar que no episódio da chamada crise do mensalão, quando toda a orquestração midiática estava destinada a alcançar de Lula a renúncia à uma nova candidatura, ou até mesmo recorrer à alternativa do “impeachement”, o que fez esta gente recuar foi o anúncio do presidente de que iria defender seu mandato nas ruas. “Não vou suicidar como Vargas, não vou renunciar como Jânio, não vou sair do País como Jango, vou defender o mandato popular nas ruas!”, disse ele. Foi isto o que levou a oposição conservadora a vacilar e a recuar de sua sanha golpista de então, sempre lembrando que todos os governos populares estão sempre na alça da mira do golpismo. É um golpismo permanente, uma conduta sistemática das oposições conservadoras. Queriam aplicar em Lula aquela fraseologia facciosa de Carlos Lacerda lançou contra Vargas. Dizia: “ele não pode ser candidato. Se for, não pode vencer as eleições. Se vencer não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar, teremos que derrubá-lo”. Ou seja, profissão, golpista. E tudo isto era apoiado pelos clarins da banda midiática da UDN, que chegaram a “noticiar” que no Brasil não existia petróleo a não ser na mente delirante de Vargas.

A força das ruas
Sendo assim, é chegada a hora de convocar novamente o povo a fazer história nas ruas. E com uma enorme onda unitária verde-amarela, não onda vermelha apenas. As eleições estão ameaçadas por um dilúvio midiático de falsificações e calúnias, mas com o sentido e o alcance de um golpe contra o exercício do direito democrático por meio do voto popular! Reiteramos: não é apenas estilo torpe, fanatismo ou baixaria. Trata-se de uma intervenção planejada para demolir uma candidatura não por meio do debate de propostas e de idéias. Tentaram contra Evo Morales, taxando-o de “narcopresidente”! Contra Pepe Mujica no Uruguay, chamando-o de terrorista! Também contra Cristina Kirchner, igualmente chamada de bandoleira, terrorista e guerrilheira. Transmissões de rádio captadas mostravam mensagens militares orientando sua eliminação física. Agora, contra Rafael Correa, no Equador, nas mensagens de rádio captadas havia incentivos militares ao assassinato do presidente eleito, jamais perdoado pela recuperação da soberania sobre a Base de Manta, antes controlada por forças militares norte-americanas.

Toda esta agressividade midiática para demolir a imagem de Dilma indica que estas forças reacionárias controladas pelo capital externo interessado em abocanhar o petróleo Pré-Sal, não perdoarão Lula e a candidata pelas medidas de recuperação da soberania nacional, muito embora ainda haja tanto a caminhar. A operação midiática incluiu a valorização da candidatura Marina Silva para assegurar o segundo turno. Sobretudo, influenciando para que na proposta dos verdes incluam-se, por exemplo, pontos programáticos que afirmam ser indiferente se o capital é nacional ou internacional, desde que seja ecológico na aplicação. Será realmente indiferente, por exemplo, no petróleo Pré-Sal, que o capital seja nacional ou internacional?

Unidade, unidade, unidade
Embora havendo semelhanças com o golpe organizado contra Vargas, por sorte, há indicativos de que todas as forças progressistas caminham para uma unidade e para uma linha ação em defesa da continuidade, manutenção e aprofundamento das conquistas alcançadas pelo governo atual. Não se espera que haja , por exemplo, repetição do equívoco histórico cometido pelos comunistas que, no dia 24 de agosto de 1954, em manchete de seu jornal , o Tribuna Popular, reivindicavam a renúncia de Vargas, tal como exigia a direita nacional, teleguiada pelo grande capital internacional. Morto Vargas, a explosão de fúria das massas não poupou sequer as instalações do jornal dos comunistas, bem como a Tribuna de Imprensa, O Globo e o consulado dos EUA. De tal sorte que, segundo relato dos próprios comunistas, a direção do PCB mandou recolher das bancas os exemplares do jornal que pedia a renúncia de Vargas em coro com as forças conservadoras. Na recente crise criada pela tentativa de golpe no Equador, um dos movimentos sociais mais importantes chegou a solicitar a renúncia de Rafael Correia, revelando perda de visão de conjunto sobre as ações permanentes do imperialismo para desestabilizar e inviabilizar qualquer governo que contrarie seus interesses vitais.

Há indicativos de que uma ampla frente popular está sendo forjada até mesmo pela compreensão de que esta campanha conservadora tem dimensões golpistas, levando à necessidade de alerta máximo das forças progressistas para a eventualidade de ter que prevenir e enfrentar novas ações desestabilizadoras, com muito maior truculência, que não podem ser descartadas. É da história. Isso por que, como visto, os interesses em jogo no processo eleitoral brasileiro são de uma dimensão infinitamente gigantesca, não apenas mais um simples pleito, e podem decidir ritmos e prazos do processo histórico de integração latinoamericana e sul-sul, com plena independência dos interesses e ações imperiais.

“Verás que um filho teu não foge à luta”
Devemos ter uma mobilização à altura dos direitos do povo brasileiro em seguir sua caminhada para um processo de emancipação. Só nas ruas, com responsabilidade, criatividade e argumentação inteligente poderemos alcançar os indecisos, os confusos, os milhões e milhões que se abstiveram de votar, os que ainda acham que todos os candidatos são iguais e fazer a comparação democrática e respeitosa dos projetos em jogo. Se não temos jornais, se todos os jornais são contra nós, temos que inventar formas de produzir publicações e levar informações claras e elucidativas sobre o que está em risco em função deste golpismo midiático.

É hora de honrar os millhões que se manifestaram em 1954 quando Vargas foi levado à morte e paralisaram o golpe que vinha. E hora de relembrar as lutas estudantis, de imbuir-se do espírito das Ligas Camponesas, de entoar novamente as trilhas e roteiros das Diretas Já. É hora de lembrar a Carta Testamento de Vargas, de cantar com toda a energia o verso do Hino Nacional que diz “Verás que um filho teu não foge à luta”. Ou, aquela linda canção de Gonzaguinha “E vamos à luta!”, com a qual termino

“Eu acredito é na rapaziada,
Que vai em frente e segura o rojão.
Eu tenho fé é na fé da moçada
Que não foge da fera e enfrenta o leão
Eu vou à luta é com a juventude
Que não corre da raia em troco de nada
Eu vou no bloco dessa mocidade
Que não está na saudade e constrói a manhã desejada!
Gonzaguinha

(*) Beto Almeida é jornalista

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