Sábado, 07 de Junho de 2014

Página Inicial>Mundo

Ativistas em Donetsk proclamam independência da região ucraniana e marcam referendo

Conselho autoproclamado como legítimo anunciou que decisão de separar-se de Kiev terá efeito após consulta marcada para 11 de maio

Publicada: 07/04/2014 - 18h44m|Fonte: Opera Mundi|Versão para impressão|

  • Manifestantes hateiam bandeiras russas à frente do prédio da administração regional em Donetsk, no s
  • Manifestantes hateiam bandeiras russas à frente do prédio da administração regional em Donetsk, no s
    Foto: Agência Efe
Ativistas pró-Rússia que ocupam o prédio do governo local de Donetsk, cidade no sudeste da Ucrânia a 80 km da fronteira russa, desde domingo (06/04) declararam nesta segunda-feira (07/04) sua independência e proclamaram que a região agora é uma "república soberana" que não estará mais subordinada ao governo central da capital Kiev.

"A República Popular de Donetsk se estabelece dentro dos limites administrativos da região. Esta decisão passará a ter efeitos após o referendo", assinala o documento, ao agendar para o mês de maio uma consulta popular que decidirá se a população deseja ou não separar-se da Ucrânia. Divulgada no YouTube, a declaração foi lida por um dos manifestantes e líder do Conselho Popular de Donetsk — instituição política que não reconhece a autoridades ucranianas e se autodeclarou o único corpo político legítimo da região.


O conselho também anunciou que está marcado para 11 de maio -- duas semanas antes das eleições presidenciais na Ucrânia -- um referendo popular que decidirá se Donetsk continua unida a Kiev ou se passa a fazer parte da Rússia, como aconteceu com a Crimeia há algumas semanas, após a deposição do presidente Viktor Yanukovich, no fim de fevereiro.

Os ativistas, que controlam dois edifícios administrativos na região (as sedes do governo regional e do Serviço de Segurança da Ucrânia, tomadas nas últimas horas), retiraram as bandeira as bandeiras do Executivo e içaram no local bandeiras russas e também o estandarte da organização civil "República de Donetsk".
Sobretudo no sudeste da Ucrânia, onde a população tem predominantemente identificação com a cultura e o idioma russo, diversas cidades têm sediado manifestações pela federalização do país, movimento que daria mais autonomia às regiões separatistas em relação ao governo central de Kiev.

"Medidas antiterror"

Também hoje, o presidente interino da Ucrânia, Alexandr Turchinov, disse que Kiev prepara uma série de "operações antiterroristas" para reprimir os manifestantes que pegaram em armas contra as autoridades ucranianas. Nesta semana, o Parlamento deverá discutir a adesão de leis mais rígidas contra levantes separatistas, podendo até banir certos partidos e organizações civis, conforme alertou Turchinov.

"O que presenciamos ontem é a segunda onda da operação especial da Federação Russa contra a Ucrânia", disse Turchinov, acusando Moscou de estar por trás do movimento. O ministro do Interior também acusou o presidente Vladimir Putin de orquestrar uma "desordem separatista" no leste e no sudeste da Ucrânia, região que pertencia à extinta União Soviética.

Em resposta, a Rússia afirmou que Kiev precisa "parar de apontar o dedo" contra Moscou. "Parem de culpar a Rússia por todos os problemas atuais da Ucrânia", disse o chanceler russo, Sergei Lavrov, reiterando que Moscou continua a favor de uma reforma constitucional que dê mais poder às regiões ucranianas.

"Respeito as distintas posturas políticas, incluindo as de nossos oponentes. Mas, o separatismo e o uso de armas contra o próprio Estado, algo que ameaça diretamente a segurança e a vida de nossos cidadãos, não é política, é um crime grave. E contra os criminosos atuaremos com determinação", completou o presidente provisório. Por sua vez, o ministro interino das Relações Exteriores, Andrey Deschitsa, disse que as forças de segurança ucranianas adotarão medidas "muito mais duras" do que aquelas empregadas no conflito da Crimeia.

Comentários dos leitores

Confira abaixo os comentários realizados pelos nossos leitores.

 
Siha nos no Twitter

Recomendações Facebook