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Amorim mantém mistério sobre permanência no governo

O atual ministro prefere não comentar o fato, também não diz quais são seus planos para o futuro e se continuará no governo caso a candidata Dilma Rousseff.

Publicada: 01/10/2010 - 12h49m|Versão para impressão|

  • O chanceler brasileiro, Celso Amorim, durante discusro na sede da ONU em Nova York.
  • O chanceler brasileiro, Celso Amorim, durante discusro na sede da ONU em Nova York.
O chanceler brasileiro Celso Amorim é o ministro das Relações Exteriores que mais tempo ocupou o cargo no Brasil. Nesta semana, ultrapassou o recorde que pertencia ao barão do Rio Branco, reconhecido como patrono da diplomacia brasileira. Amorim, além dos oito anos do governo Lula, foi também ministro de Itamar Franco, de julho de 1993 até o final de 1994. José Maria da Silva Paranhos, o barão do Rio Branco, esteve no mesmo cargo entre 1902 e 1912.

Reportagem realizada por Cleide Klock

O atual ministro prefere não comentar o fato, também não diz quais são seus planos para o futuro e se continuará no governo caso a candidata Dilma Rousseff, do PT, vença a eleição, mas falou para a RFI sobre as prioridades que o próximo governo deveria investir e frisa que “é fundamental para o Brasil aprofundar a integração sul-americana” além de estar atento para os novos desafios do mundo moderno.

Para o ministro, o fortalecimento das relações na América do Sul é "importante do ponto de vista comercial, traz prosperidade para os outros países, paz na região e reforça a posição de barganha no mundo”. Mas destacou ainda que é necessário fortalecer as parcerias com os países árabes, da África e com a União Europeia.

“O mundo está sempre colocando desafios novos e inesperados, há três anos era a crise de energia, depois a crise da segurança alimentar, depois a crise financeira, então nós temos que estar sempre preparados para enfrentá-los”, afirma o ministro que completa dizendo que nesses momentos é preciso também estar atento às oportunidades e diversidade de parceiros. Para ele "aprofundar parcerias com emergentes e países mais pobres é uma obrigação.”

França

Celso Amorim classifica a relação com a França como “muito boa, estamos cooperando numa série de áreas, cresceu muito, temos acordos na área de defesa que são importantes. A França apoia o Brasil no Conselho de Segurança, tivemos muito bom entendimento na questão do clima, há um entendimento assinado pelo Lula e pelo Sarkozy antes da Conferência de Copenhague, espero que se mantenha porque é para benefício de todos”, conclui o chanceler que não comentou sobre o processo pendente da compra dos 36 caças para a Força Aérea Brasileira – que concorrem além da empresa francesa Dassault, a americana Boeing e a sueca Saab. O processo de licitação está aberto junto ao Ministério da Defesa. De acordo com o presidente Lula, o vencedor deve ser anunciado logo após as eleições.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, certamente foi um dos diplomatas mais concorridos durante a Assembleia Geral da ONU. Nos dez dias que esteve em Nova York, teve cerca de 50 reuniões para tratar de assuntos bilaterais com países de todos os continentes, além de participar de encontros de grupos como BRIC, UNASUL, ASPA, G4 e IBAS. Para ele essa agenda concorrida “representa a percepção que o Brasil ganhou no mundo e a intensa atividade que a política externa brasileira teve nesses oito anos do governo Lula".

Imigrantes no Brasil, na contramão do mundo

Ao comentar os recentes casos de xenofobia no mundo, sem querer citar exemplos específicos, Celso Amorim fez uma análise dizendo que “nessas situações como essa de crise econômica, você procura o primeiro bode expiatório que pode encontrar e normalmente o imigrante é o primeiro deles. Isso aconteceu no passado, infelizmente, e está ocorrendo agora.” E completou: “isso contrasta com a atitude de que nós temos tomado. O Brasil também tem imigrantes estrangeiros, bolivianos, de outras nacionalidades, africanos, e o que nós fizemos foi o contrário. Foi regularizar a situação de praticamente todos que trabalhavam no país".

Para o ministro é preciso uma “visão de tolerância, de solidariedade e para atacar as causas profundas desse problema, a melhor maneira é ajudar a promover o desenvolvimento dos países mais pobres.” Celso Amorim completa dizendo que a principal ação seria facilitar o comércio desses países, eliminando os subsídios agrícolas: “gestos deste tipo é que nós necessitamos", conclui.

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