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Nova gripe suína com potencial pandêmico coloca o Brasil em alerta

É uma variante do vírus da gripe A H1N2, cujo primeiro caso foi registrado em um matadouro no Paraná e é transmitido de porcos para humanos.

Um porco nas ruas do bairro de Santa Teresa no Rio de Janeiro, Brasil, em 25 de maio de 2019 – Lucas Landau / Reuters

Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) no Rio de Janeiro, Brasil, permanecem em alerta para o potencial pandêmico de uma nova variante da gripe A H1N2, que é transmitida de porcos para humanos, descoberta no estado do Paraná, no sul do Brasil.

“Desde 2005, a variante da gripe A H1N2 foi encontrada mais outras 25 vezes. Mas esta que identificamos em uma amostra de Ibiporã, no Paraná, é diferente de todas as outras já descobertas no mundo”, disse Marilda Siqueira, virologista e diretora do IOC, que faz parte da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em entrevista a O Globo.

Entretanto, embora seja genomicamente diferente, ainda não se sabe “o que isso significa, se dá mais ou menos risco”, razão pela qual eles estão “procurando outros casos possíveis” para serem estudados, disse o especialista.

Marilda explicou que o primeiro caso foi registrado em abril passado, em uma mulher de 22 anos que trabalhava em um abatedouro em Ibiporã. O vírus “causou um caso leve de gripe”, disse a especialista, do qual ela agora se recuperou completamente.

“Esta variante do vírus da gripe A H1N2 tem potencial pandêmico, mas isso não significa que causará uma pandemia”, disse elae.

Ao dizer que tem “potencial pandêmico”, disse ela, é porque “os vírus da influenza são muito contagiosos, e toda vez que surge um novo vírus causa preocupação, porque as pessoas não têm imunidade a ele”.

Marilda explicou que ele teria o mesmo potencial que o vírus da influenza da cepa G4, identificado na China; mas, ao contrário deste, que é difícil de transmitir aos humanos, o brasileiro já provou que pode chegar às pessoas, embora com dificuldade e, em particular, para ser transmitido de um humano para outro.

“Toda a evidência que temos é que ela é transmitida com dificuldade de porco para humano, e não é transmitida de uma pessoa para outra”. Portanto, não é facilmente transmitida. Teria que sofrer mutações que lhe dariam a capacidade não só de saltar entre espécies, mas de ser efetivamente transmissível em nossa espécie”, disse a pesquisadora.

Apesar de tudo isso, Marilda diz que é necessário “manter uma vigilância intensa e constante, porque as pandemias de coronavírus H1N1 e Sars-CoV-2 tornam mais do que óbvio o quão devastadores os vírus podem ser. Portanto, eles devem ser detectados e contidos desde o início”.

Traduzido e adaptado de conteúdo originalmente publicado em RT