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Em plena pandemia, Guedes acelera últimas cartadas neoliberais

O ministro da Economia quer concluir no governo Bolsonaro, e neste mesmo ano, sua receita neoliberal para o Brasil, com privatizações em estatais e reformas

Paulo Guedes - Foto: ABr
Paulo Guedes – Foto: ABr

O ministro da Economia, Paulo Guedes, quer conseguir concluir no governo Bolsonaro, senão neste mesmo ano, sua receita neoliberal para o Brasil, com privatizações em estatais e reformas, entre elas a do pacto federativo, a administrativa e a tributária.

“Iremos passar pela primeira grande onda, que é a doença em si. É uma doença terrível. Por isso a cooperação, fraternidade, e tudo o que falamos é muito importante para a espécie humana. Tivemos erros intelectuais, mas não devemos lutar sobre eles. Devemos discutir sobre eles”, disse.

Os erros intelectuais a que se refere Guedes são a paralisação econômica do país com a pandemia do novo coronavírus. Ignorando a situação econômica do país antes mesmo do coronavírus, o ministro responsabilizou a pandemia por “provocar” uma recessão. E ameaçou que o cenário econômico irá piorar para uma depressão, “se não lutarmos adequadamente”.

A “luta” proposta por ele são as reformas e as privatizações, admitindo que serão “em uma direção liberal”.

“Nos próximos 60, 90 dias, iremos acelerar as reformas. Com a ajuda da nova geração de políticos que está chegando, iremos continuar reformando o país em uma direção liberal. Passaremos pela segunda grande onda, que é a angústia econômica causada pela doença”, afirmou.

As reformas que o ministro da Economia do governo Bolsonaro quer aprovar tem, como prioridade, a da Previdência. Tornou-se uma meta pessoal de Paulo Guedes, desde que assumiu o governo Bolsonaro, inspirando-se no esquema neoliberal que foi implantado no Chile da ditadura dos anos 80 e que hoje traz sequelas graves à sobrevivência dos idosos no país latino-americano. O GGN fez um especial, no ano passado, expondo todos os detalhes da reforma que inspirou Guedes, relembre.

Além da dedicação pessoal do ministro, com interesses em obter um sistema privatizado de aposentadoria, com base em investimentos do mercado e que gera lucros à grandes empresas -entre elas o BTG Pactual no Chile-, a busca de Guedes foi articulada ainda em tempos de campanha eleitoral do presidente Jair Bolsonaro, que decidiu boa parte das primeiras nomeações de segundo e terceiro escalões com vistas a aprovar a matéria no Congresso.

Após a sociedade civil se mobilizar, por meio dos partidos políticos de oposição, o texto original de Guedes não foi aprovado na Câmara, sofrendo mudanças que descaracterizaram o teor neoliberal da proposta, mas que, por outro lado, reduziu benefícios e aumentou a idade minima e o tempo de contribuição.

Agora, Guedes ainda busca inserir outras mudanças no pacto federativo, por meio de PECs (Propostas de Emenda à Constituição), entre elas a que endurece os recursos destinados a estados e municípios, a que restringe os mecanismos de despesas da União a estados e municípios, e a que acaba com a maior parte dos 281 fundos públicos.

Ainda, estão na lista de espera de Guedes as reformas administrativa e tributária, apesar de não serem sua prioridade.

Ao mesmo tempo, o ministro já deu sinal verde para iniciar os trabalhos de privatização. Somente em 2020, ele quer o pré-sal, o porto de Santos, os Correios e a Eletrobras. E quer abrir o capital, tornando mista, a Caixa Seguridade.

Os planos de Guedes foram aprovados em reunião do Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), na semana passada, segundo reportagem de O Globo. E o PPI é agora comandado pelo próprio ministro da Economia.

As privatizações que Guedes quer acelerar nos próximos seis meses, em plena pandemia do coronavírus, estavam previstas para serem discutidas nos próximos anos. Mas o ministro da Economia mudou de ideia e considerou que a venda das estatais será um caixa rápido para o governo de Jair Bolsonaro, em meio à crise.

Conteúdo originalmente publicado em GGN