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O epicentro da pandemia do coronavírus está se movendo em direção à América do Sul com todos os olhos voltados para o Brasil

O continente americano é a região mais afetada pela pandemia de coronavírus, com mais de 2,1 milhões de infecções já registradas. Seu avanço é particularmente preocupante nos Estados Unidos, que responde por mais da metade desses casos, mas também no Brasil e no Peru.

Trabalhadores com equipamentos de proteção no cemitério do Caju, no Rio de Janeiro, Brasil. 20 de maio de 2020. Silvia Izquierdo / AP
Trabalhadores com equipamentos de proteção no cemitério do Caju, no Rio de Janeiro, Brasil. 20 de maio de 2020. Silvia Izquierdo / AP

“Nas últimas 24 horas, 106 mil casos foram relatados à OMS, o maior número em um único dia desde o início da pandemia”, disse quarta-feira o diretor geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Apesar de serem os EUA que acumularam os números mais altos durante esta crise sanitária, com mais de 1,5 milhões de casos diagnosticados e mais de 93 mil mortes, os olhos estão voltados nestes últimos dias para a América do Sul, onde o avanço do vírus está sendo observado com preocupação em países como Brasil, Equador e Peru, que estão contribuindo muito para este novo número diário maior de infecções no mundo.

O Brasil em ascensão

O Brasil está prestes a atingir 19 mil mortes depois que 888 foram relatadas no último dia, enquanto mais de 290 mil infecções já foram confirmadas.

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro tem sido muito criticado pelo modo como tem lidado com a crise sanitária desde que o vírus começou a se espalhar no país, até mesmo o classificando como uma “gripezinha”, em pouco mais de um mês, dois Ministros da Saúde foram demitidos por não seguirem suas orientações controversas, uma das principais era a indicação do uso da Cloroquina que até o momento não tem sua eficácia comprovada pelos organismos científicos e sanitários.

Jair Bolsonaro cumprimenta seus apoiadores, que protestavam contra a quarentena e as medidas de distanciamento social. Brasília, 19 de abril de 2020. Ueslei Marcelino / Reuters

Bolsonaro não tem sido a favor de medidas tão rigorosas como as quarentenas decretadas em outros países da América do Sul, Europa ou Ásia. Ele é visto constantemente em inúmeros eventos desrespeitando completamente as medidas de proteção básicas, como máscaras faciais, e sem manter a distância mínima de segurança recomendada pelas autoridades sanitárias.

Peru mais de 100.000 infecções

Os olhos também estão voltados para o Peru. Embora o número de mortes seja muito menor do que o registrado por vários países europeus e até pelos Estados Unidos, com pouco mais de 3.000 mortes, nesta quarta-feira superou a barreira dos 100.000 casos confirmados, colocando-o como o país com mais infecções por cada 100.000 habitantes do subcontinente e o segundo em termos relativos, atrás do Brasil.

Apesar da gravidade da situação, o país iniciou um relaxamento gradual do estado de emergência, com crianças menores de 14 anos podendo sair por apenas meia hora por dia e a menos de 500 metros de suas casas desde 18 de maio.

Entretanto, esse alívio não será possível em 20 distritos de Lima e outras oito regiões do país, depois que o Ministério da Saúde emitir um alerta sanitário recomendando que a medida não seja utilizada em áreas com maior incidência de contágio.

E no resto da América Latina?

No resto do subcontinente e dos países que compõem a América Latina as situações são diversas.

Uma rua em Guayaquil depois que algumas lojas foram autorizadas a abrir a partir de quarta-feira. Equador, 20 de maio de 2020. Vicente Gaibor del Pino / Reuter

Equador

A situação no Equador é preocupante, com mais de 34.000 infectados e 2.888 mortes, após 49 novas mortes nas últimas 24 horas, enquanto 1.805 mortes mostraram sintomas compatíveis com a doença, apesar de não terem sido confirmados. Mais da metade dos casos equatorianos (51,6%) está concentrada na província de Guayas, cuja capital é Guayaquil.

O governo equatoriano implementou um sistema de desescalada baseado nas cores de semáforos após dois meses de quarentena. Até agora apenas nove das 221 regiões do país passaram do vermelho para o amarelo: El Pan, Paute e Sevilla de Oro, na província de Azuay; Daule, El Triunfo e Samborondón, em Guayas; Chinchipe, em Zamora Chinchipe; e Palora e Santiago, em Morona Santiago.

México

Mais de 56.000 casos e 6.000 mortes já foram relatados no México. Apesar da Cidade do México ser um dos focos mais importantes da pandemia na República, já está sendo considerado um projeto para um retorno gradual à normalidade, que poderia ser implementado a partir de 15 de junho, dependendo da evolução da propagação do coronavírus e do grau de ocupação hospitalar.

Chile

O Chile é o terceiro país mais afetado da América do Sul, já tendo ultrapassado a marca dos 50 mil infectados, embora sua letalidade até hoje seja muito baixa, com apenas 544 mortes por covid-19. O país é um dos que não decretou o confinamento obrigatório em nível nacional, embora tenha adotado um modelo de quarentena seletiva ou estratégica com limitações semanais que são avaliadas de acordo com a evolução das infecções, o que significou que uma dúzia de comunidades da capital teve que retornar ao confinamento.

Argentina

Na Argentina, que na quarta-feira completou dois meses de quarentena, foram registrados pouco mais de 9.000 casos e 400 mortes, ao passo que o país começou a abrir gradualmente sua economia.

Mais de 5 milhões de casos em todo o mundo

Em todo o mundo, cinco milhões de infecções já foram relatadas e mais de 328 mil pessoas morreram, enquanto quase 1,9 milhões de pessoas se recuperaram. Com exceção dos microestados, cujo tamanho distorce os números, os países com maior número de casos de acordo com sua população são o Qatar, Luxemburgo, Singapura, Islândia, Bahrain, Irlanda, Espanha, Bélgica, EUA e Kuwait, enquanto o país mais afetado em termos absolutos são os EUA.

Se o aumento dos casos registrados tanto nos EUA quanto em países como Brasil, Peru ou Chile continuar esse tendência de aumento mostrado nas últimas semanas,
o continente Americano estará muito próximo de reunir metade dos casos existentes em todo o planeta.

Tradução e adaptação de conteúdo originalmente publicado em: RT