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Ricardo Barros, ex-ministro da saúde, defende fim do isolamento para salvar hospitais privados

Ex-ministro da saúde defende fim do isolamento para salvar hospitais privados. GP1

Para aqueles que conhecem o trabalho de desmonte do SUS, tocado magistralmente pelo ex-ministro da saúde, Ricardo Barros, não é nada surpreendente a sua repentina aparição nesse momento de “caça” a um novo ministro subserviente aos descalabros do presidente.

Apesar dele e seu irmão, Silvio Barros, terem testado positivo para o coronavírus, e seu irmão ter recém saído da UTI, Ricardo Barros não parece se sensibilizar com a saúde da população e nem mesmo de seus eleitores. Sua maior preocupação nesse momento em que as mortes aumentam no país é mesmo com os hospitais privados, que, segundo ele, estão quebrando.

Segundo nota em matéria publicada no site Outras Palavras:

diante de tantas críticas, chama a atenção o posicionamento de outro ex-ministro da Saúde, Ricardo Barros, que chefiou a pasta no governo Temer e andava meio sumido dos debates. Para ele, discutir hidroxicloroquina é inútil – não porque os estudos não apoiem o uso indiscriminado da droga, mas porque o Conselho Federal de Medicina já autorizou a prescrição. “São eles [ex-ministros] que têm que se enquadrar“, declarou à CNN. Ainda aproveitou para criticar o isolamento social, dando para isso o motivo mais aberrante de todos: os hospitais privados estão perdendo dinheiro. “O hospitais estão quase quebrando. Eles perderam o seu movimento normal, das cirurgias eletivas, os acidentes de trânsito caíram muito – que era um motivo de faturamento dos hospitais”, argumentou ele.  Está aí alguém que definitivamente ‘fala a língua’ do presidente, como Bolsonaro já disse desejar. Seu nome, porém, não aparece entre as possibilidades de nomeação para a pasta. Por enquanto.

Parece que aquela ideia de que quando o vírus atingir alguém da própria família os políticos passariam a defender o isolamento para toda a população é mesmo uma ilusão. Eles já estão isolados da população há muito tempo, portanto, sentem-se protegidos e tranquilos para se tratarem em hospitais privados (que sobrevivem com o devido apoio do SUS) e também para defender esses mesmos hospitais.

Sempre é bom lembrar que, quando ministro da saúde, Ricardo Barros contribuiu e muito para agravar o desmantelamento do SUS, sobretudo visando o fortalecimento de planos de saúde populares privados e de baixa qualidade. E, também, que um dos maiores doadores de campanha de Ricardo Barros foi Elon Gomes de Almeida, presidente do Grupo Aliança, gigante dos planos de saúde.

Redação