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‘Un respiro’: o projeto argentino que cria respiradores de baixo custo e com licença aberta para o mundo

O engenheiro Simon Carpman explica à RT que o dispositivo fácil de usar “pode ser conectado ao paciente por mais de cinco dias”.

Ventilador de Transição para atendimento de Emergência para pacientes com Covid-19, desenvolvido no projeto argentino ‘Un respiro’. Cortesia: Inventu

Uma equipe argentina projetou um respirador de baixo custo para tratar pacientes afetados pelo coronavírus, cuja licença é gratuita para que o dispositivo possa ser fabricado em qualquer parte do mundo.

O projeto, chamado ‘Un Respiro‘ (Um Respiro), está sendo realizado pela empresa local Inventu e pela Universidade Nacional de Rosário (UNR). Assim, ambas as entidades desenvolveram o Ventilador de Transição de Emergência Covid-19, concebido com peças nacionais facilmente disponíveis.Este instrumento médico foi concebido para auxiliar o paciente na fase aguda da doença, acompanhando-o no meio do tratamento.

Por enquanto, o ventilador foi testado com sucesso em simuladores pulmonares, e aguarda-se a autorização da Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica (ANMAT), que poderá vir nas próximas horas. Entretanto, o Executivo já deu luz verde para que as províncias aprovem este tipo de invenção, fornecendo-lhes insumos críticos, tendo em vista o avanço da pandemia. No momento, na Argentina o surto ainda não atingiu o pico.

Simon Carpman com a equipa de ‘Un respiro’, cortesia da Inventu

Com efeito, a província nortenha de Corrientes fez-se eco da inovação rosarina e já colocou à disposição as primeiras dez unidades para um hospital de campanha: “Em 30 dias vamos produzir 100 respiradores“, adiantou o governador, Gustavo Valdés, sobre o desenvolvimento que terá a participação da Universidade Nacional do Nordeste (UNNE). Além disso, o anúncio esclareceu que o artefacto custa cinco vezes menos do que o valor de mercado.

“Em países onde o sistema de saúde entrou em colapso, o mais difícil foi conseguir respiradores”

Simon Carpman, engenheiro sócio da Inventu que liderou a iniciativa, explica que essa ferramenta de saúde “é para ser usada com pacientes entubados e pode ser conectada a uma pessoa por cinco dias ou mais”. Além disso, ele esclarece que não se trata de um respirador de emergência. Em relação às características, ele indica que apesar de transportar poucas peças e ser mais econômico, seu uso “é o mesmo que um convencional padronizado”.

Para desenvolver a ideia, o grupo consultou profissionais de saúde, entendendo as necessidades do setor: “Fizemos um levantamento e tivemos o feedback de todos os profissionais terapêuticos e especialistas respiratórios das principais cidades do país”, afirma. Assim, foi enfatizado que “o monitor touchscreen de suas funçoões deve ser o mais simples possível para um operador com treinamento básico poder usá-lo”. Na verdade, a sua facilidade de utilização é uma das principais distinções.

Por outro lado, Carpman assinala que a ‘Un Respiro’ “utiliza elementos industriais, de grau sanitário”, ao contrário dos materiais implementados em respiradores comerciais, “que hoje em dia são muito difíceis de obter”.

Então a ideia surgiu quando ele notou que este é “um dispositivo tecnológico em falta”. Nos países onde o sistema de saúde entrou em colapso, o mais complicado foi conseguir respiradores”, acrescenta ele. No meio da emergência global mais importante dos últimos tempos, preencher estas lacunas para servir a população tornou-se um objetivo de conjunto.

O engenheiro Simón Carpman revisa o trabalho para desenvolver um respirador de baixo custo. – Gentileza Inventu

Então, o projeto é ‘open source‘ -modelo de código aberto baseado na colaboração – poderia ser usado para criar respiradores em diferentes partes do mundo: “As licenças para seu fabrico em outros países deverão ser autorizadas pelo Governo de cada lugar, portanto, quem desejar produzir o respirador, poderá fazê-lo”, diz. Desta forma, “quem está em condições de adquiri-lo são Estados nacionais e provinciais, tanto como ONG ou instituições privadas que queiram comprar dispositivos para doações ou uso próprio”.

Mas, mesmo que as contas não sejam as mais relevantes neste contexto, como é financiado o projeto? O dinheiro é recuperado ou é feito por puro altruísmo? Carpman responde: “O financiamento começou com um investimento da Universidade Nacional de Rosário. Ele coloca dinheiro para o próprio desenvolvimento, que entre outras coisas envolve engenharia e design, assim como o trabalho de estudantes universitários e profissionais”.

Quanto à contribuição da universidade estatal, acrescenta: “Facilitou o contato com outras instituições, o que permitiu a melhoria de grande parte do processo. Certamente, sozinhos não teríamos sido capazes de fazer nada”.

Para terminar a entrevista, ele responde que “o dinheiro podia ser recuperado, mas uma grande parte dele eram doações”. E ele conclui: “Se surgir um modelo de negócio, podemos ser consultores técnicos para as pessoas que o montaram, ou podemos fabricar alguns dos equipamentos e fornecê-los”.

De igual modo, o objetivo de ajudar o sistema de saúde está sendo cumprido.

Leandro Lutzky

Tradução e adaptação de conteúdo publicado originalmente em: RT