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Renuncia à equipe de Guaidó o assessor que confessou ter assinado um contrato para atacar a Venezuela

O estrategista político Juan José Rendón reconheceu na semana passada que o documento propunha uma “exploração” para determinar se havia “a possibilidade de capturar e entregar à justiça” os membros do governo.

Juan José Rendón antes de receber seu doutorado Honoris Causa em Ciências Políticas, 25 de janeiro de 2011.Official JJ Rendon / CC

O venezuelano Juan José Rendón renunciou ao cargo que tinha como responsável do Comitê de Estratégia do deputado e autoproclamado presidente encarregado da Venezuela, Juan Guaidó.

Rendón reconheceu na semana passada que assinou um contrato e pagou 50.000 dólares à empreiteira de segurança norte-americana Silvercorp USA, que organizou e realizou uma tentativa de invasão na costa da Venezuela, na madrugada do dia 3 de maio passado, que visava o rapto do Presidente Nicolas Maduro.

Também renunciou o deputado opositor Sergio Vergara, que fazia parte do mesmo Comitê de Estratégia, cuja assinatura também apareceu no contrato assinado com a Silvercorp USA.

“Guaidó aceitou a renúncia dos funcionários e agradeceu a dedicação e compromisso com a Venezuela”, diz um comunicado de imprensa publicado no site do Centro Nacional de Comunicação, que gerencia a informação e a propaganda do deputado da oposição.

Na semana passada, após a tentativa de ataque, o partido de oposição Primero Justicia exigiu a retirada de Rendón y Vergara, depois que se soube que eles participaram da manobra.

Em comunicado, o partido político que apoia Guaidó pediu, de forma imediata, “para destituir imediatamente os funcionários que estavam ligados a esses grupos ilegais”.

No documento sobre a contratação da empresa americana para realizar o ataque, além das assinaturas de Rendón e Vergara, aparecem as assinaturas de Guaidó e Jordan Goudreau, diretor executivo da Silvercorp USA.

Apesar de confessar, Goudreau negou que qualquer pagamento tivesse sido feito a ele e informou que o contrato inicial foi avaliado em US$ 211 milhões.


Mandados de prisão

Rendón, Vergara e Goudreau estão sujeitos a mandados de prisão, que foram solicitados pelo Procurador Geral da Venezuela, Tarek William Saab, na última sexta-feira, 8 de maio.

Os três são acusados de estarem envolvidos no “projeto, financiamento e execução” da tentativa de ataque, uma ação que foi chamada de “Operação Gideão”.

O Ministério Público solicitará ainda a inclusão de Rendón, Vergara e Goudreau no sistema da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), com alerta vermelho, e pedirá a sua extradição para a Venezuela.

Atualmente, na Venezuela estão detidos os cidadãos norte-americanos Luke Denman e Airan Berry, contratados pela Silvercorp USA e que participaram da fracassada incursão.

Ambos confessaram que participaram do treinamento de 60 mercenários em três acampamentos em Riohacha, no norte da Colômbia, e que o plano do grupo era tomar os aeroportos para “alcançar os objetivos específicos” e “assassinar” o presidente Maduro.

Tradução e adaptação de conteúdo originalmente publicado em: RT