Press "Enter" to skip to content

Um estudo diz que a covid-19 se espalhou pela França no final do ano passado.

Alguns cientistas têm sido céticos quanto ao fato de que a pesquisa pode mudar significativamente a compreensão do quadro geral da pandemia que se desenvolveu até hoje.

As pessoas andam de bicicleta perto da Torre Eiffel, em Paris, França, 5 de dezembro de 2019.

Vários cientistas estão estudando cuidadosamente um estudo recente – que indica que o coronavírus já estava se espalhando pela França no final de dezembro do ano passado, num esforço para entender como isso poderia ter acontecido.

Alguns deles têm sido céticas quanto ao fato de que a pesquisa poderia mudar significativamente o quadro geral da pandemia que se desenvolveu até o momento.

Do que se trata o estudo?

Semanas antes das autoridades chinesas reconhecerem que o coronavírus poderia ser transmitido entre humanos, e quase um mês antes dos primeiros casos oficialmente registrados na Europa, um peixeiro de 42 anos apareceu em um hospital no subúrbio de Paris tossindo, febril e com dificuldade para respirar. Era 27 de dezembro de 2019.

Agora os médicos na França dizem que o paciente de dezembro pode ter sido o primeiro caso conhecido de coronavírus na Europa.

Se confirmado, o caso do peixeiro, Amirouche Hammar, significaria que o vírus mortal apareceu no continente muito antes das autoridades de lá começarem a combatê-lo.

Um grupo de pesquisadores determinou que a covid-19 já estava se espalhando pelo território da França no final de dezembro de 2019, um mês antes da detecção do primeiro caso de infecção no país, segundo um estudo publicado no último dia 3 de maio no International Journal of Antimicrobial Agents.

Como parte da investigação, foi realizada uma análise retrospectiva dos testes de 14 pessoas, que identificou que o homem de 42 anos, que não tinha viajado à China após o início do surto, deu positivo para covid-19. O paciente em questão foi internado na unidade de terapia intensiva em 27 de dezembro em Paris, após receber tratamento com antibióticos seu quadro foi ficando favorável” até receber alta em 29 de dezembro.

Identificar o primeiro paciente infectado é de grande interesse epidemiológico, pois muda drasticamente nosso conhecimento sobre a SRA-CoV-2 e sua disseminação no país”, disseram os especialistas.

Quando as primeiras medidas sérias foram postas em prática – o governo francês não ordenou um bloqueio até 16 de março – o vírus pode já ter aparecido três meses antes, de acordo com o estudo.

Isso, por sua vez, ajudaria a explicar o rápido desenvolvimento da catástrofe que se desenrolou desde então na França e na Europa. Houve milhares de casos, hospitalizações e mortes, em números que só nas últimas semanas começaram a diminuir um pouco, como resultado das rígidas medidas de confinamento do governo francês.

“Se confirmado, o que este caso destaca é a velocidade com que uma infecção começando em uma parte aparentemente remota do mundo, pode rapidamente semear infecções em outros lugares”, disse o Prof. Rowland Kao, Professor de Epidemiologia Veterinária e Ciência de Dados da Universidade de Edimburgo, em uma entrevista para o Centro de Mídia Científica da Grã-Bretanha.

Mas os autores da publicação, médicos do Hospital Avicenne, no bairro parisiense de Bobigny, entre outros, declaram sem rodeios: O estudo deles é de um “paciente infectado com Covid-19 um mês antes dos primeiros casos relatados em nosso país”, cuja “falta de viagens recentes sugere que a doença já estava se espalhando entre a população francesa no final de dezembro de 2019”.

O que não está claro é como o paciente, Sr. Hammar, foi infectado. Além de uma viagem à Argélia no verão passado, ele não tinha viajado. Sua esposa, entretanto, exibiu brevemente alguns dos sintomas como tosse, principalmente , disse o Dr. Cohen.
“Nós temos algumas teorias”, disse ele. “A mulher dele tinha um pouco de tosse”.

A esposa do Sr. Hammar, Fatiha, que trabalha em um supermercado perto do aeroporto Charles de Gaulle em Paris, disse à televisão francesa esta semana que ela atende clientes que vêm diretamente do aeroporto, “com suas malas”.

Houve voos diretos entre esse aeroporto e o de Wuhan, na China, antes do fechamento das fronteiras.

Entretanto especialistas alertaram que o caso não poderia ser diretamente relacionado ao surto atual da França sem uma análise genômica.

O primeiro caso fora da China foi relatado na Tailândia em 13 de janeiro. Mas os especialistas tem uma grande suspeita que o coronavírus pode ter se espalhado internacionalmente antes dos primeiros casos oficialmente relatados.

A detecção do potencial novo caso na França segue casos semelhantes nos Estados Unidos, onde as autoridades descobriram recentemente que as mortes pelo vírus haviam ocorrido semanas antes do que se sabia, e um modelo sugeriu que surtos silenciosos haviam se espalhado por semanas antes da detecção.

O governo francês tem dito muito pouco sobre o caso até agora.

O Ministério da Saúde da França disse na terça-feira que as autoridades estavam em contato com cientistas e especialistas de outros países sobre a cronologia da disseminação do vírus, e que realizariam mais investigações “se fossem necessárias”.

“Estamos em contato permanente com nossos homólogos europeus e chineses sobre o assunto, a fim de entender melhor a propagação do vírus em nível global”, disse o ministério.

Com informações compiladas do The New York Times e RT