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A escalada do covid-19 no Brasil: quatro estados têm suas UTIs no limite enquanto o ministro da Saúde reconhece que “a curva não está caindo”

Com 8.536 mortos é o sexto país do mundo com maior número de mortes, segundo a Universidade norte-americana Johns Hopkins.

Um homem com máscara em uma favela do Rio de Janeiro, Brasil. 15 de abril de 2020.Silvia Izquierdo / AP

Os dados da pandemia do coronavírus no Brasil estão cada vez mais desoladores. Quatro estados, Pernambuco, Rio de Janeiro, Ceará e Roraima, têm mais de 90% das vagas ocupadas em suas Unidades de Terapia Intensiva (UTI), segundo informações da Folha de S.Paulo.

Também o Estado do Amazonas, um dos primeiros a ter o sistema de saúde colapsado, continua em situação crítica com 87% de leitos ocupados. Seguido pelo Pará (84 %), Maranhao (74 %) e São Paulo (69 %).

Por capitais, oito são as que registram em seus hospitais um índice de ocupação superior a 90 %: Manaus, Recife, Rio de Janeiro, Fortaleza e Boa Vista, São Luís, Belém e São Paulo.

Contra a postura do presidente, Jair Bolsonaro, que se opôs ao isolamento social e entrou em uma batalha política com seu ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, três estados endureceram suas medidas diante do aumento de contágios, mortes e colapso sanitário.
Maranhão, Pará e Ceará implantaram o confinamento nas suas capitais, São Luís, Belém e Fortaleza, respectivamente. As Procuradorias dos Estados do Amazonas, com 751 mortos e 9.243 infectados, e de Pernambuco, com 883 mortos e quase 9.900 contagiados, pedem que se imponha a quarentena.

Suspeito de coronavírus é internado em um hospital de Manaus, estado do Amazonas. 19 de abril de 2020. Edmar Barros / AP

Segundo a imprensa, em Pernambuco já se registram filas de até cem pessoas para ingressar na UTI. No Rio de Janeiro, com 1.205 mortos e 13.295 casos, os especialistas também exigem o Lockdown para “evitar uma catástrofe”.


Incerteza sobre os valores

O ministro da Saúde, Nelson Teich, disse na quarta-feira que não está “contra ou a favor” do confinamento e admitiu que a medida pode ser necessária em alguma situação.

“Haverá lugares onde a quarentena será necessário e lugares onde poderei pensar em flexibilização. O que preciso é que deixemos de tratar isto de uma forma radical, para que tenhamos a tranquilidade de poder implementar as medidas em cada lugar da melhor maneira possível”, garantiu.

Teich destacou que o ministério trabalha para melhorar a recepção de informações com os hospitais e compreender o “nível de incerteza” que existe sobre as cifras de mortes e contágios.

O número oficial de mortos em todo o Brasil aumentou para 8.536 e 125.218 os casos de contágio, o que o torna o sexto país do mundo com mais mortes, segundo a Universidade norte-americana Johns Hopkins.

“Sobre as mortes, a curva não está caindo e teremos que prestar atenção a isso e intensificar um pouco mais a comunicação com a sociedade e falar dos cuidados”, disse. “
” Vemos que não estamos entrando em uma descendente”, acrescentou.

Os analistas advertem que o número de mortos e infectados seja mais elevado, uma vez que não existem testes para detectar a doença.

O secretário de Vigilância de Saúde, Wanderson Oliveira, explicou que o balanço oficial ainda não reflete os resultados dos testes em laboratórios privados e garantiu que há 100 mil testes aguardando resultados.

Até ao momento, dos 46 milhões de testes que o Governo anunciou que iria adquirir foram entregues apenas 5,1 milhões, o que representa 11% do total.

Fonte: RT
Traduzido e adaptado para o Português