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A China não convidará especialistas internacionais para investigar a origem do covid-19 até que se consiga “a vitória final” contra o vírus

Atualmente, a tarefa principal é a luta contra a pandemia, pensa o gigante asiático.

O embaixador chinês na ONU, Chen Xu, em Genebra, Suíça, em 31 de janeiro de 2020. Denis Balibouse / Reuters

Pequim não dá prioridade a convidar especialistas estrangeiros para que investiguem qual foi a fonte do SARS-Cov-2 até que a epidemia não tenha sido derrotada, disse nesta quarta-feira o embaixador chinês junto à ONU em Genebra, Chen Xu.

“A principal prioridade, no momento, é se concentrar na luta contra a pandemia até que alcancemos a vitória final”, declarou Chen durante uma entrevista à imprensa on-line, segundo a AFP.

“Quanto a como será realizado o convite caso haja, devemos estabelecer as prioridades corretas neste momento e, por outro lado, precisamos do ambiente correto”, acrescentou.

“Não é que sejamos imunes a qualquer tipo de investigação, consulta ou avaliação”, garante o embaixador. Entretanto, destacou que agora o necessário é “correr contra o relógio para salvar tantas vidas quanto pudermos”.

Acusações contra a China

A declaração de Chen ocorre em meio as denúncias de alguns políticos, que acusam a China de estar por trás da origem do SARS-Cov-2. Na quinta-feira passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou estar convencido de que o patógeno foi criado em um laboratório de Wuhan. Três dias depois, o Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, apoiou essa versão e garantiu que uma “enorme evidência” a corrobora. Nesta terça-feira, Trump novamente se pronunciou sobre o assunto e declarou que “dentro de um tempo” seu país publicará um relatório que detalhará a origem do vírus.

No entanto, no mesmo dia, o Presidente do Estado-Maior Conjunto dos EUA, General Mark Milley, informou que não tem resposta para a pergunta de onde veio o SARS-Cov-2. Por sua vez, o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA (NIAID) Anthony Fauci negou a sua origem num laboratório e afirmou que existem provas suficientes de que o novo coronavírus “não pode ter sido manipulado artificialmente ou deliberadamente”.

“O inimigo é o vírus, não a China”

O Instituto de Virologia de Wuhan nega categoricamente ser a origem do covid-19, sublinhando que “não há forma” de que provenha de seu laboratório. Os cientistas chineses, assim como a maioria dos especialistas de outros países, argumentam que o vírus foi transmitido aos humanos a partir de um reservatório animal, como ocorreu com a pneumonia atípica do coronavírus SARS-Cov que tem origem animal.

Geng Shuang, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do país asiático, ressaltou na quinta-feira passada que a China foi vítima do novo coronavírus e não seu cúmplice, acrescentando que as tentativas de “certos políticos” de culpar Pequim pela sua má gestão do surto apenas expõem “os próprios problemas dos EUA”. “

“Em 2009. a gripe H1M1 estalou em uma grande área nos EUA. E se espalhou a dezenas de
países, causando quase 200.000 mortes. Alguém pediu aos EUA para pagar por isso?”

Na década de 1980, a AIDS foi detectada pela primeira vez nos EUA e se espalhou pelo mundo. Quantas pessoas sofrem de AIDS hoje em dia?
Alguém culpou os EUA por isso?

“Os vírus são inimigos comuns de toda a humanidade
e podem aparecer em qualquer país em qualquer momento.”


“China, como outros países, tem sido atacada pelo vírus.
China é uma vítima, não um cúmplice do vírus.”


“O inimigo é o vírus, não a China”
, concluiu a autoridade.

Fonte: RT