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Os indígenas do Brasil pedem ajuda à OMS para proteger-se contra o coronavírus: “Estamos morrendo”

A iniciativa conta com o apoio da ex-presidente Dilma Rousseff, vários ex-ministros, o cantor Sting e o prestigioso fotógrafo Sebastião Salgado, entre outras personalidades.

Auxiliar de enfermagem indígena cuida de um paciente de uma comunidade indígena nos subúrbios de Manaus, Brasil, 3 de maio de 2020.Ricardo Oliveira / AFP

Organizações indígenas brasileiras pediram ajuda à Organização Mundial da Saúde (OMS) para proteger os povos nativos da Amazônia contra os efeitos da pandemia de coronavírus como parte das polêmicas políticas do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

A Frente Parlamentar Conjunta em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas enviou uma carta ao organismo internacional, dirigida ao seu diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, para solicitar a promoção de medidas específicas destinadas a garantir o direito à vida dos povos originários face à expansão do novo SARS-Cov-2.

A carta está assinada pela ex-presidente Dilma Rousseff, a deputada federal e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, 27 deputados federais e três senadores, bem como personalidades como o Fotógrafo Sebastião Salgado, a cantora brasileira Maria Gadú, a atriz Letícia Sabatella e o músico britânico Sting, entre outras.

O texto também é assinado por organizações internacionais como Amazon Watch, Anistia Internacional ou Greenpeace; e nacionais, como a Comissão Especial para a Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, o Comité Chico Mendes e o Instituto Raoni.

Joenia Wapichana, a primeira deputada federal indígena do Brasil e Coordenadora da Frente Parlamentar Conjunta, outra das assinaturas da carta, explicou que a carta constitui um apelo à comunidade internacional para a criação de um fundo de emergência destinado a proteger os indígenas.

Não é a única frente aberta pela entidade que envia a carta à OMS. No plano nacional, a Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas solicita com urgência a aprovação de um projeto de lei para ajudar a combater a pandemia de covid-19 em territórios indígenas.

Este projeto, que está pronto para ser votado no plenário do Hemiciclo, inclui uma ajuda de emergência de um salário mínimo mensal para cada família indígena enquanto durar o estado de emergência sanitária, além da restrição do acesso às aldeias por parte de pessoas não indígenas, com exceções como a dos profissionais de saúde.

Aldeias da região amazônica afetadas pelo covid-19

A Articulação dos Povos Indígenas (APIB), uma das maiores entidades aborígines que apoia o documento, estima que 26 comunidades já foram atingidas por covid-19 e que os povos mais afetados são os da região amazônica.

“A falta de infraestrutura causou a morte de pessoas indígenas, que enfrentam uma série de demandas que devem ser melhoradas na área da saúde pública”, disse Wapichana, por isso o documento enviado a Ghebreyesus alerta sobre a falta de estruturas do sistema de saúde para garantir a proteção dos trabalhadores de saúde que atendem a esses povos.

Além disso, a carta também denuncia a insuficiência de meios de apoio às comunidades, que faz com que os pacientes tenham que se deslocar às cidades para serem atendidos, onde existe um maior perigo de contágio.

Além do APIB, o documento também é apoiado por outras das mais importantes entidades indígenas do país, como o Conselho Indígena de Roraima (CIR), a Coordenação de Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), o Conselho Terena, a Federação das Organizações Indígenas de Rio Negro (FOIRN), a Hutukara Associação Yanomami (HAY) e o Instituto Mulheres da Amazônia (IMA).

Fonte: RT