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Correspondente da RT recebe ameaças de morte da empresa norte-americana que organizou a incursão frustrada na Venezuela

“Para livrar o mundo de cúmplices de Maduro como você, faço o trabalho grátis”, ameaçaram Érika Ortega, da conta da empreiteira de segurança Silvercorp USA.

A jornalista Érika Ortega, correspondente da RT na Venezuela, foi ameaçada de morte por quem dirige a conta do Twitter da empresa Silvercorp USA, dirigida por Jordan Goudreau, que recentemente confessou sua participação na tentativa fracassada de incursão marítima ao país sul-americano, no domingo passado.

Na tarde de domingo, Goudreau assegurou em um vídeo, divulgado nas redes, que havia sido parte de uma ação armada para acabar com o Governo de Nicolás Maduro e que havia assinado um contrato, de 212 milhões de dólares, com o deputado opositor Juan Guaidó para que sua empresa levasse a cabo a operação militar. Segundo ele, o pagamento ainda não foi feito.

Depois desse tweet, a Silvercorp respondeu: “Os mercenários são pagos. Para livrar o mundo de cúmplices de Maduro como você, com muito gosto faço este trabalho grátis”. Esta interação foi apagada.

“Será que devia chamá-lo de assassino?”

Ortega conta à RT que seguia a conta da Silvercorp há algum tempo e que lhe pareceu “relevante que a tivessem reativado a meio da operação”. A jornalista lembra que desde 2014 “dezenas de contas no Twitter são usadas para ameaçar jornalistas que não se alinham com Washington e a oposição venezuelana”.

Depois desta reação, Ortega publicou outro tweet onde afirmou que Goudeau “ou (quem lhe administra a conta)” tinha se incomodado porque o chamou de “mercenário”. ” Ele diz que me mataria de graça. Como se chama aqueles que recebem dinheiro para assassinar outra pessoa? Será que eu deveria chamá-lo de ‘assassino’? Talvez o eufemismo de ‘empreiteiro’ gostaria mais”, escreveu.

Reações

Após esta ameaça, diversos atores políticos, a Promotoria venezuelana, jornalistas e seguidores de Ortega manifestaram sua solidariedade.

Através de sua conta no Twitter, o governante deposto da Bolívia, Evo Morales, expressou sua solidariedade com Ortega e condenou as ameaças recebidas pela correspondente de RT, qualificando-as de um “grave atentado contra a liberdade de expressão”.

A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, expressou seu apoio a Ortega e apontou Goudeau como um “fanático supremacista. ” Já sabe o que lhes acontece quando mostrar sua cabeça mercenária. Saiba, Goudeau, que as mulheres venezuelanas o esperamos, gratuitamente, mas com profunda paixão patriota”, acrescentou a funcionária.

O que é que aconteceu?

Na madrugada do passado domingo, segundo um comunicado da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), “um grupo de mercenários terroristas” realizou uma “incursão contra a soberania nacional, ao pretender desembarcar com material de guerra nas costas de Macuto, estado La Guaira”.

O ministro do Interior e Justiça, Néstor Reverol, disse que oito dos “terroristas” foram mortos na operação e outros dois foram capturados no local.

Da mesma forma, foi apreendido um arsenal de 10 fuzis de assalto, uma pistola, cartuchos de diferentes calibres, seis veículos, uma lancha e duas metralhadoras, que foram roubadas do parque de armas do Palácio Federal legislativo.

Segundo Goudreau e um dos detidos, que disse pertencer à Administração para o Controle de Drogas (DEA, por sua sigla em inglês) dos EUA, o treinamento dos homens que participaram da ação foi realizado na Colômbia.

A Chancelaria desse país disse em comunicado que “se trata de uma acusação infundada, que tenta comprometer o Governo da Colômbia em uma trama especulativa”. Washington ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Esta tentativa de agressão à Venezuela ocorreu quase exatamente um ano depois da tentativa frustrada de golpe de Estado liderada pelo deputado Guaidó, em Caracas, acompanhado pelo líder de direita Leopoldo López.


Fonte: RT Nathali Gómez