Press "Enter" to skip to content

Charlie Hebdo: Máscaras e álcool gel nos protegerão do fascismo?

O editoral do semanário francês Charlie Hebdo questiona o avanço do fascismo frente às medidas da França e de outros países para conter o Covid-19, relatando que:

A desordem ameaça a França. Alguns bairros e regiões periféricas se inflamam, a cada dia, cada vez mais pessoas andam pelas ruas, deixando de respeitar o confinamento, as prefeituras tomam as medidas como bem entendem e as regiões já não esperam nada do Estado. O Covid-19 não só destrói os nossos pulmões, como também os laços que estruturam uma sociedade. Iniciou em todos os recantos do país a sensação desagradável da confusão. O Estado centralizador demonstrou as suas limitações, os Estados e municípios esperam salvar sozinhos os seus cidadãos do vírus. É o próprio edifício da democracia que está lentamente sendo posto em causa.

Estabelecendo uma relação com a necessidade que as sociedades têm de manter uma certa ordem social, o editoral de Charlie Hebdo cita Trump e Bolsonaro como líderes que organizam o caos, se valendo de uma lógica totalitária, a exemplo da prática nazista. Segundo o editorial, o fato de Brasil e EUA parecerem menos autoritários que Vietnam e China (que têm sido mais eficientes no combate ao vírus), por exemplo, a ausência de controle não é, de modo algum, sinônimo de mais democracia e liberdade. Como ressalta o editorial:

O caos que Bolsonaro e Trump organizam no seu país, deixando que o vírus se espalhe, resulta da mesma lógica totalitária: os dominadores sairão vencedores da epidemia e os mais fracos morrerão.

O editorial alerta, portanto, sobre a necessidade de alguma ordem comum, lembrando que sozinho ninguém se salvará. O que vemos, no entanto, é que poucos estão preparados para se submeter a restrições mínimas de circulação, nem pelo bem comum. Se essa conscientização e educação para o social já é difícil, sobretudo no Ocidente, figuras como as de Trump e Bolsonaro não ajudam em nada, pelo contrário, são ameaças que exigirão de todos muito mais que máscaras e álcool gel. O editorial termina com uma afirmação categórica:

Os partidários do caos e da desordem orquestrada, que são Trump e Bolsonaro, são autênticos fascistas, inimigos de uma sociedade humana organizada para que o maior número possa viver sem necessidade de pisar nos outros.

Para ler o editorial na íntegra, acesse: Edito Charlie Hebdo